Mesmo com maior rendimento da história e avanço do emprego, concentração de renda aumenta e distância entre ricos e pobres se amplia
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| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil |
O rendimento médio da população brasileira atingiu o maior nível da série histórica em 2025, mas o avanço da renda não foi suficiente para reduzir a desigualdade social no país. Dados divulgados pelo IBGE mostram que, apesar do crescimento dos ganhos da população, a concentração de renda voltou a subir, impulsionada principalmente pelo aumento mais acelerado dos rendimentos das camadas mais ricas.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), o rendimento médio proveniente de todas as fontes chegou a R$ 3.367 no ano passado, alta de 5,4% em relação a 2024, quando a média era de R$ 3.195. O valor representa o maior já registrado desde o início da série histórica, iniciada em 2012.
Ao todo, cerca de 143 milhões de brasileiros possuíam algum tipo de rendimento em 2025, o equivalente a 67,2% da população nacional. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo mercado de trabalho, responsável pela maior parte da renda dos brasileiros.
A parcela da população com rendimento proveniente do trabalho subiu para 47,8%, o maior percentual já registrado pela pesquisa. Dentro desse grupo, a renda média chegou a R$ 3.560, ficando acima da média geral dos rendimentos investigados pelo IBGE.
Além da renda do trabalho, outras fontes também tiveram crescimento na participação da população. Houve aumento no número de pessoas que recebem aposentadoria e pensão, aluguéis, arrendamentos, pensão alimentícia, doações, mesadas e outros tipos de rendimento.
A renda proveniente de aposentadorias e pensões atingiu o maior patamar da série histórica, alcançando 13,8% da população brasileira. Atualmente, cerca de 29,3 milhões de pessoas vivem nessa condição, com rendimento médio estimado em R$ 2.697.
Já os programas sociais foram a única fonte de renda a registrar queda no valor médio recebido pelos beneficiários. O rendimento caiu de R$ 875 para R$ 870 no último ano. Apesar da retração recente, o valor ainda representa crescimento acumulado superior a 71% desde 2019.
O levantamento também aponta que o rendimento domiciliar per capita atingiu recorde histórico. A renda média por morador nos lares brasileiros avançou de R$ 2.118 para R$ 2.264 em 2025, alta de 6,89% em relação ao ano anterior.
Os rendimentos do trabalho seguem como principal sustentação financeira das famílias brasileiras, respondendo por 75,1% da composição da renda domiciliar. Em seguida aparecem aposentadorias e pensões, responsáveis por 16,4%, programas sociais, com 3,5%, e aluguéis e arrendamentos, com 2,1%.
Apesar dos avanços nos indicadores de renda, o IBGE alerta para o crescimento da desigualdade social no país. O Índice de Gini, utilizado para medir a concentração de renda, subiu de 0,487 para 0,491 em 2025. Quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade.
O levantamento mostra que o crescimento dos rendimentos foi mais intenso entre os brasileiros de maior renda. A parcela correspondente aos 10% mais ricos teve aumento de 8,7% nos ganhos, passando de R$ 8.385 para R$ 9.117.
Na outra ponta, os brasileiros de menor renda registraram crescimento mais tímido. Entre os grupos mais pobres, a renda domiciliar per capita subiu apenas 3,1%, passando de R$ 260 para R$ 268.
Com isso, a distância entre ricos e pobres voltou a crescer. Atualmente, os rendimentos médios dos 10% mais ricos são 13,8 vezes maiores que os ganhos dos 40% mais pobres da população brasileira.
Regionalmente, o Sul continua sendo a região menos desigual do país, com Índice de Gini de 0,445. Já o Nordeste permanece como a região com maior desigualdade, mesmo registrando leve recuo no indicador, de 0,509 para 0,507.
No Norte, Sudeste e Centro-Oeste, a desigualdade avançou no último ano. O Norte passou de 0,477 para 0,491, o Sudeste de 0,476 para 0,482 e o Centro-Oeste de 0,464 para 0,485.
De acordo com o analista da Pnad, Gustavo Geaquinto Fontes, os avanços na renda observados nos últimos anos são explicados pela melhora do mercado de trabalho, pela redução do desemprego, pelos reajustes reais do salário mínimo e pela ampliação dos programas sociais.
Mesmo assim, ele ressalta que o ritmo de crescimento da renda das camadas mais pobres começou a desacelerar em 2025, enquanto os grupos de maior renda ampliaram seus ganhos em velocidade superior, contribuindo para o aumento da desigualdade no país.
Fonte: UOL
