Ciro Nogueira é alvo de operação da PF em investigação sobre suposto esquema de propina ligado ao Banco Master

Polícia Federal cumpre mandados de busca no Piauí e em Brasília; investigação apura suspeita de repasses milionários para defesa de interesses da instituição financeira

Ciro Nogueira, senador do Progressistas pelo Piauí — Foto: Ascom Ciro Nogueira

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira mais uma fase da operação Compliance Zero e cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira, em endereços localizados em Brasília e no Piauí. A ação faz parte das investigações sobre um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras envolvendo o extinto Banco Master.

Segundo a investigação, o parlamentar é suspeito de ter recebido cerca de R$ 18 milhões em propina para atuar em defesa dos interesses do banco. De acordo com informações apuradas pelo UOL, os valores teriam sido pagos por meio de depósitos mensais e também através da negociação de compra e venda de uma empresa ligada ao esquema investigado.

Durante a nova etapa da operação, a PF também prendeu Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como um dos principais nomes ligados ao esquema. Conforme os investigadores, Felipe teria participado diretamente da operacionalização dos pagamentos supostamente destinados ao senador.

As suspeitas surgiram após a análise de mensagens encontradas em celulares apreendidos nas fases anteriores da investigação, incluindo aparelhos pertencentes a Daniel Vorcaro. O conteúdo obtido pela Polícia Federal teria revelado indícios de negociações e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com operações regulares.

A quinta fase da operação Compliance Zero cumpre, ao todo, um mandado de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

Segundo a Polícia Federal, o objetivo desta nova etapa é aprofundar as apurações sobre a atuação de uma suposta organização criminosa voltada à prática de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Até o momento, a defesa de Ciro Nogueira não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. O espaço segue aberto para manifestações.

Operação já teve cinco fases e alcançou empresários, servidores e ex-dirigentes bancários

A operação Compliance Zero foi iniciada em novembro de 2025, quando a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Na ocasião, a investigação apontava fraudes envolvendo negociações de créditos considerados irregulares entre o banco e o BRB, o Banco de Brasília.

Na segunda fase, deflagrada em janeiro de 2026, os investigadores avançaram sobre fundos financeiros que teriam sido utilizados para sustentar o esquema fraudulento.

Já a terceira etapa, realizada em março de 2026, passou a focar em possíveis atos de corrupção envolvendo agentes públicos. A investigação alcançou servidores do Banco Central suspeitos de favorecer interesses do Banco Master. Nessa fase, Daniel Vorcaro voltou a ser preso após mensagens interceptadas revelarem a existência de uma suposta milícia privada utilizada para perseguir adversários e críticos do ex-banqueiro. O líder do grupo, conhecido como “Sicário”, morreu dentro da carceragem da Polícia Federal no dia em que foi preso.

A quarta fase da operação ocorreu em 16 de abril deste ano e resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, suspeito de receber vantagens indevidas para beneficiar o Banco Master.

Fonte: UOL

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