Figurantes denunciam maus-tratos e pagamentos irrisórios nos bastidores de “Dark Horse”

Relatório do SATED-SP aponta agressão física, comida estragada, revistas consideradas humilhantes e atrasos nos cachês durante as gravações do filme sobre Jair Bolsonaro

Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em "Dark Horse"  • Instagram/Jim Caviezel

O filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), voltou ao centro das polêmicas após um relatório do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED-SP) reunir denúncias graves feitas por figurantes que participaram das gravações em 2025. Entre os relatos apresentados estão acusações de maus-tratos, assédio moral, agressão física, alimentação inadequada e pagamentos considerados extremamente baixos pelos trabalhadores envolvidos na produção.

Segundo o documento, figurantes brasileiros afirmam que enfrentaram condições abusivas durante as filmagens realizadas principalmente em São Paulo. O relatório menciona, inclusive, uma denúncia formal de agressão física contra um dos participantes da produção.

De acordo com o SATED-SP, o trabalhador apresentou cópia de um Boletim de Ocorrência registrado após o episódio e informou que passaria por exame de corpo de delito para comprovação das lesões sofridas.

Além da agressão, os relatos também apontam a existência de revistas pessoais realizadas por seguranças da produção logo no início das jornadas de gravação. Conforme os denunciantes, os procedimentos eram invasivos e considerados humilhantes pelos figurantes, que alegam terem sido submetidos a situações constrangedoras nos bastidores do longa.

Outro ponto destacado no relatório envolve o tratamento diferenciado dado aos trabalhadores brasileiros. Segundo o documento, as condições oferecidas estavam abaixo do padrão normalmente observado em grandes produções audiovisuais, incluindo reclamações sobre fornecimento de comida estragada durante as gravações.

Os valores pagos aos figurantes também geraram forte insatisfação. Conforme as denúncias, os cachês oferecidos giravam em torno de R$ 100 para figurantes comuns e R$ 170 para elenco de apoio. Trabalhadores relataram ainda atrasos frequentes nos pagamentos, especialmente nas diárias referentes ao fim de novembro e início de dezembro de 2025.

O relatório do sindicato aponta também um suposto esquema de cobrança pelo transporte até os locais de gravação. Segundo o SATED-SP, uma gravação de áudio recebida pela entidade mostraria o aliciamento de figurantes brasileiros mediante cobrança de R$ 10 pelo deslocamento até as locações do filme. O valor, de acordo com os relatos, poderia ser pago antecipadamente ou descontado diretamente do cachê ao final da diária.

A reportagem informou que procurou a produtora GOUP Entertainment para comentar as denúncias, mas não obteve resposta até o momento. O espaço segue aberto para manifestação.

O longa Dark Horse reúne atores de Hollywood e artistas conhecidos da televisão brasileira para retratar personagens ligados à ascensão política de Jair Bolsonaro e às eleições presidenciais de 2018. A produção ganhou ainda mais repercussão nos últimos dias após a divulgação, pelo site Intercept Brasil, de um áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro (PL), no qual ele cobraria do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o pagamento de cerca de R$ 61 milhões em parcelas atrasadas destinadas ao financiamento do filme.

Com estreia prevista para 11 de setembro de 2026, o longa foi produzido em inglês, com financiamento privado e direção de Cyrus Nowrasteh. O roteiro foi assinado por Cyrus, Mark Nowrasteh e pelo ex-secretário especial da Cultura Mário Frias, que também atua como produtor executivo da obra e interpreta um dos médicos responsáveis pela cirurgia de Bolsonaro após o atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018.

Fonte: IG

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