ONU aponta avanço histórico do Brasil no IDH, mas alerta para desigualdade

Relatório da ONU aponta avanço em saúde, educação e qualidade de vida, mas alerta para desigualdades persistentes entre regiões, gênero e raça

Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress


O Brasil atingiu, pela primeira vez, o nível de “muito alto desenvolvimento humano” no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), conforme relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ligado à Organização das Nações Unidas (ONU). O levantamento, referente ao ano de 2024, mostra que o país alcançou a marca histórica de 0,805 no índice, o maior resultado já registrado.

Na escala do IDH, que varia de 0 a 1, quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento humano. Em 2012, o Brasil registrava 0,744 ponto. Desde então, o país apresentou evolução nos três pilares avaliados pelo indicador: saúde, educação e renda.

Segundo o relatório, o Brasil atual apresenta avanços significativos em relação às últimas décadas, especialmente em áreas sociais. A ONU destaca que diversos estados, o Distrito Federal e grande parte das regiões metropolitanas já atingiram o patamar de desenvolvimento muito alto.

Entre os indicadores analisados, a saúde continua sendo o principal destaque nacional. O índice de longevidade subiu de 0,829 em 2012 para 0,860 em 2024, alcançando níveis semelhantes aos de países desenvolvidos. O estudo atribui parte importante desse desempenho ao papel desempenhado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A educação foi o setor que registrou o maior crescimento no período. Em 2012, o indicador educacional era o mais baixo do país, com 0,679 ponto. Agora, atingiu 0,798, consolidando-se como o segundo melhor desempenho nacional. Especialistas do PNUD apontam que políticas públicas implementadas nas últimas décadas, especialmente programas de transferência de renda como o Bolsa Família, contribuíram diretamente para a permanência de crianças e adolescentes na escola e para a melhoria dos indicadores educacionais.

Brasil atinge o maior IDH da história; educação tem a maior ascensão, e renda patina - Imagem: Divulgação/PNUD


Apesar da evolução geral, o relatório mostra que a renda ainda representa o principal desafio brasileiro. O índice relacionado ao rendimento da população passou de 0,732 para 0,760 em mais de uma década, crescimento considerado modesto em comparação aos demais indicadores.

O documento também revela que as desigualdades sociais continuam marcando profundamente o desenvolvimento humano no país. As diferenças aparecem de forma evidente quando os dados são analisados por gênero, raça e localização geográfica.

Enquanto os homens apresentam IDH considerado muito alto, com 0,802, as mulheres registram índice de 0,798, classificado como alto. A desigualdade racial também chama atenção: pessoas brancas possuem IDH de 0,851, enquanto a população negra registra 0,774.

As disparidades regionais seguem expressivas. O Distrito Federal aparece com o maior IDH do país, alcançando 0,866, enquanto o Maranhão registra o menor índice nacional, com 0,745.

IDH segue, mas segue reproduzindo desigualdades no BrasilImagem: Divulgação/PNUD

Essas diferenças impactam diretamente indicadores sociais básicos, como expectativa de vida e renda média. Segundo o levantamento, moradores do Amapá vivem, em média, até cinco anos menos do que os habitantes do Distrito Federal. A renda também apresenta grande disparidade: um cidadão branco do DF possui rendimento médio cerca de quatro vezes maior do que o de uma pessoa negra no Maranhão.

Para o PNUD, embora o país tenha avançado de maneira consistente nos últimos anos, o grande desafio agora é garantir que o crescimento seja distribuído de forma mais igualitária entre todos os grupos sociais. O relatório ressalta que a inclusão da população negra e das mulheres nas políticas públicas será decisiva para reduzir as desigualdades históricas e ampliar os efeitos positivos do desenvolvimento humano no Brasil.

Fonte: UOL

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem