Victor Lima Sedlmaier, apontado como integrante de grupo especializado em ataques cibernéticos e intimidação digital, foi capturado em ação conjunta da PF, Interpol e polícia dos Emirados Árabes Unidos
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| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil |
A Polícia Federal prendeu neste sábado (16) o hacker Victor Lima Sedlmaier, investigado na Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema financeiro bilionário envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Considerado foragido da Justiça brasileira, Sedlmaier foi localizado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, após ação coordenada entre a PF, a Interpol e autoridades policiais locais.
Contra o investigado havia um mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Polícia Federal, mecanismos de cooperação policial internacional foram acionados assim que o suspeito tentou ingressar no território dos Emirados Árabes Unidos.
Em nota, a PF informou que, diante da articulação conjunta, foi determinada a não admissão do investigado no país e a imediata deportação para o Brasil. Após desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, Sedlmaier acabou preso pelas autoridades brasileiras.
O hacker é investigado no âmbito da sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira (14). Na mesma etapa da investigação, a PF também prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Conforme os investigadores, ele exerceria papel estratégico no comando do grupo conhecido como “A Turma”, apontado como uma espécie de milícia privada ligada ao ex-banqueiro.
As investigações indicam que os grupos “A Turma” e “Os Meninos” atuavam em ações clandestinas de monitoramento, intimidação e perseguição de desafetos de Henrique e Daniel Vorcaro. No caso de Sedlmaier, a suspeita é de que integrasse “Os Meninos”, núcleo especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo operava em benefício dos interesses de Daniel Vorcaro, utilizando recursos tecnológicos para práticas ilícitas e espionagem digital.
Na decisão que autorizou as prisões, o ministro do STF André Mendonça afirmou que Henrique Vorcaro não apenas se beneficiava das ações do grupo, mas também mantinha contato direto com seus operadores e financiava as atividades investigadas, mesmo após o avanço das apurações.
A existência da suposta estrutura paralela foi descoberta pela Polícia Federal a partir de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. As provas se fortaleceram após a apreensão de conversas extraídas do aparelho do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, preso durante a terceira fase da operação, realizada em março, em Belo Horizonte.
Segundo a PF, Marilson exercia forte influência sobre o grupo investigado e, por determinação da Justiça, foi transferido do sistema prisional de Minas Gerais para uma penitenciária federal de segurança máxima.
Fonte: Agência Brasil
