Regra interna do Senado deve barrar nova indicação de Jorge Messias ao STF ainda em 2026

Regimento interno impede reapresentação do nome do AGU na mesma sessão legislativa após rejeição em plenário

Jorge Messias e o presidente Lula no Palácio da Alvorada — Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República/20/11/2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende insistir no nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após a rejeição da indicação pelo Senado Federal. A informação foi divulgada neste domingo (17) pela Folha de S. Paulo e repercutiu nos bastidores políticos em Brasília.

Apesar da intenção do Palácio do Planalto, as regras internas do Senado impedem que o nome de Messias seja novamente analisado ainda em 2026. O impedimento está previsto no Ato da Mesa nº 1/2010, que regulamenta dispositivos do Regimento Interno da Casa.

A norma estabelece que uma autoridade rejeitada pelo plenário não pode ter nova indicação apreciada durante a mesma sessão legislativa, período que corresponde ao ano parlamentar em curso. Com isso, Lula só poderá reenviar oficialmente o nome de Jorge Messias ao Senado a partir de fevereiro de 2027, quando começa uma nova sessão legislativa no Congresso Nacional.

O artigo 5º da norma é claro ao afirmar: “É vedada a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado Federal”.

Jorge Messias recebeu 34 votos favoráveis no plenário, número insuficiente para alcançar a aprovação necessária para assumir uma cadeira na Suprema Corte. A derrota foi considerada uma das mais significativas do governo Lula em indicações institucionais e ampliou o desgaste político entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Nos bastidores, aliados do presidente afirmam que Lula interpreta a rejeição como resultado de uma articulação política contra o governo, e não como questionamento técnico à capacidade de Messias para exercer o cargo no STF.

Interlocutores próximos ao presidente relatam que Lula continua considerando o atual chefe da Advocacia-Geral da União preparado para assumir a vaga deixada pelo ministro Roberto Barroso, aberta desde outubro de 2025.

Enquanto isso, a cadeira no Supremo permanece vaga há mais de seis meses. O governo federal avalia agora os impactos políticos de uma nova indicação em meio à tensão crescente com setores do Senado Federal.

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