Banco Central diminui taxa básica pela terceira reunião consecutiva, mas mantém discurso de cautela diante das incertezas econômicas e da inflação acima da meta
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| Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil |
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (17), reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira de 14,50% para 14,25% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual representa a terceira redução consecutiva da Selic, dando continuidade ao processo de flexibilização da política monetária iniciado neste ano.
A decisão ocorre em um cenário de desaceleração da inflação, mas ainda cercado por fatores de risco que exigem prudência. Entre eles, o Banco Central destaca os efeitos da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que continuam pressionando os preços internacionais de combustíveis e alimentos, além das incertezas sobre o comportamento da economia global.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando a taxa permanece elevada, o crédito fica mais caro para consumidores e empresas, reduzindo o consumo e os investimentos. Em contrapartida, a diminuição dos juros tende a estimular a atividade econômica ao facilitar o acesso ao crédito e incentivar o crescimento.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a taxa permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar registrado em quase duas décadas. O ciclo de cortes começou em março, após sinais de arrefecimento da inflação, embora o cenário internacional tenha limitado uma redução mais acelerada.
Em comunicado, o Copom afirmou que a decisão foi tomada diante de um ambiente de elevada incerteza e reforçou que a política monetária continuará sendo conduzida com serenidade e cautela.
Segundo o colegiado, a economia brasileira apresentou aceleração no primeiro trimestre do ano, impulsionada principalmente por setores mais sensíveis ao ciclo econômico, enquanto o mercado de trabalho segue demonstrando resistência. Ao mesmo tempo, as expectativas para a inflação continuam acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
As projeções mais recentes apontam inflação de 5,30% para 2026 e de 4,10% para 2027, ambas acima do centro da meta, fixado em 3%, cuja margem de tolerância varia entre 1,5% e 4,5%.
O Banco Central também ressaltou que acompanha os impactos da política fiscal sobre a economia e os mercados financeiros. De acordo com o Copom, os próximos passos da política de juros dependerão da evolução dos indicadores econômicos e da trajetória da inflação, com o objetivo de garantir a convergência dos preços para a meta ao longo dos próximos anos.
A autoridade monetária reiterou que novas decisões serão tomadas conforme a análise dos dados econômicos, buscando equilibrar o controle da inflação com a manutenção da atividade econômica e do emprego.
Fonte: Agência Brasil