Relatório cita viagens de luxo, uso de jatos particulares e supostas vantagens financeiras; senador nega irregularidades e afirma estar à disposição da Justiça
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| Vorcaro e Ciro Nogueira em imagens do relatório da PF — Foto: Reprodução |
Um relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta indícios de uma relação considerada “privilegiada” entre o senador piauiense Ciro Nogueira e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, reúne imagens, mensagens e registros financeiros que, segundo os investigadores, demonstrariam uma relação que extrapolava a amizade pessoal.
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| PF envia imagem de Ciro Nogueira e Vorcaro em representação ao Supremo Tribunal Federal (STF) — Foto: Reprodução |
De acordo com a representação da PF, Vorcaro teria concedido ao parlamentar um tratamento diferenciado, incluindo o custeio de viagens internacionais de alto padrão, hospedagens em hotéis de luxo, deslocamentos em aeronaves particulares e outras despesas pessoais. As imagens anexadas ao relatório mostram os dois juntos em diferentes ocasiões e viagens ao exterior.
Os investigadores sustentam que a relação possuía caráter “funcional e instrumental”, com benefícios mútuos. Segundo a apuração, enquanto Ciro Nogueira atuaria em pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional, Vorcaro teria oferecido vantagens financeiras ao senador.
Entre os benefícios apontados pela Polícia Federal estão pagamentos mensais classificados pelos investigadores como uma espécie de “mesada”, que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além da aquisição de participação societária com desconto expressivo e do financiamento de viagens internacionais.
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| Vorcaro e Ciro Nogueira em imagens do relatório da PF — Foto: Reprodução |
O relatório também destaca a atuação do senador na apresentação da Emenda nº 11 à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65/2023, conhecida nos bastidores do mercado financeiro como “Emenda Master”. Conforme a PF, o texto teria sido elaborado por assessores ligados ao banco e posteriormente apresentado no Senado por Ciro Nogueira.
Segundo os investigadores, mensagens encontradas em aparelhos apreendidos, documentos digitais e a comparação entre minutas privadas e o texto protocolado no Congresso indicariam que a proposta legislativa foi construída para favorecer interesses da instituição financeira. A PF afirma ainda que a medida poderia ampliar os negócios do banco, transferindo riscos ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
As investigações também revelam detalhes sobre viagens realizadas entre 2024 e 2025. Entre os destinos citados estão Paris, Nova Iorque, Portugal e a estação de esqui de Courchevel, nos Alpes Franceses. A Polícia Federal afirma que Vorcaro custeou passagens em jatos particulares, hospedagens, restaurantes, transporte local e até a compra de roupas específicas para atividades na neve.
Em pelo menos três ocasiões, segundo a investigação, o senador teria utilizado aeronaves particulares pertencentes ao empresário. O valor total dos gastos ainda está sendo calculado, mas a PF estima que as despesas ultrapassem R$ 500 mil, mesmo em uma projeção considerada conservadora.
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| Vorcaro e Ciro Nogueira em aeronave particular em Nova Jersey, em 16 de maio de 2024 — Foto: Reprodução |
O inquérito também apura a utilização de terceiros e empresas interpostas para ocultar a origem e a destinação dos recursos, dificultando o rastreamento financeiro das operações.
Preso em Brasília, Daniel Vorcaro responde a investigações relacionadas a supostas fraudes e irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master, instituição que teve sua liquidação determinada pelo Banco Central. O empresário tenta negociar um acordo de colaboração premiada, mas propostas apresentadas até o momento foram rejeitadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
Defesa de Ciro Nogueira
A defesa de Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade e afirma que o senador não participou de atividades ilícitas. Em nota divulgada após a operação da Polícia Federal realizada em maio deste ano, os advogados declararam que o parlamentar está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Os defensores também sustentam que não há provas que justifiquem conclusões sobre ilegalidades em sua atuação parlamentar e criticam medidas investigativas baseadas, segundo eles, em interpretações de trocas de mensagens e informações produzidas por terceiros.
A investigação segue em tramitação no Supremo Tribunal Federal e ainda não há decisão definitiva sobre as acusações apresentadas pela Polícia Federal.
Fonte: G1



