Uso de rolinhos vendidos pela internet sem orientação médica aumenta risco de lesões, novas marcas na pele e até transmissão de doenças; tratamento adequado pode melhorar até cicatrizes antigas
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| Cicatrizes: microagulhamento caseiro pode causar infecções e novas marcas; saiba como e quando tratar — Foto: Adobe Stock |
A busca por soluções rápidas para amenizar cicatrizes tem levado muitas pessoas a recorrerem ao microagulhamento caseiro, procedimento realizado com rolinhos de agulhas vendidos livremente pela internet. No entanto, especialistas alertam que a prática pode causar danos sérios à pele quando feita sem acompanhamento profissional.
Segundo o cirurgião dermatológico Emerson de Andrade Lima, da Santa Casa de Recife, o uso inadequado desses dispositivos pode provocar infecções, rasgar a pele, favorecer o surgimento de novas cicatrizes e até aumentar o risco de transmissão de doenças, principalmente quando os equipamentos não são esterilizados corretamente ou são compartilhados entre diferentes pessoas.
O médico destaca que o tratamento das cicatrizes vai muito além da estética. Em muitos casos, essas marcas podem causar dor, coceira, limitação dos movimentos e impactos emocionais importantes, especialmente quando estão associadas a acidentes, queimaduras, cirurgias ou episódios traumáticos.
Mais do que uma marca na pele
As cicatrizes são resultado do processo natural de reparação do organismo após uma lesão. Durante a cicatrização, o corpo produz um tecido diferente da pele original, que costuma apresentar alterações de cor, textura, espessura e elasticidade.
Além da aparência, o tecido cicatricial possui características distintas. Ele não conta com glândulas sudoríparas, glândulas sebáceas nem folículos pilosos. Dependendo da região afetada, pode comprometer funções importantes, restringindo movimentos de braços e pernas, causando retração das pálpebras ou dificultando até mesmo o fechamento da boca.
Outro aspecto frequentemente negligenciado é o impacto psicológico. Muitas pessoas convivem diariamente com lembranças de acidentes, violências ou doenças associadas às cicatrizes, além de enfrentar questionamentos constantes sobre a origem das marcas.
Tratamentos exigem avaliação médica
O especialista explica que existem diversas alternativas para melhorar o aspecto e a funcionalidade das cicatrizes, mas a escolha do tratamento depende do tipo, da localização e da idade da lesão.
Entre as opções utilizadas por dermatologistas estão técnicas como tunelização dérmica, shaving (raspagem tangencial para reduzir o relevo da cicatriz) e infiltração de medicamentos capazes de suavizar cicatrizes elevadas.
Embora o tecido cicatricial nunca recupere completamente as características da pele original, os tratamentos podem proporcionar melhora significativa tanto na aparência quanto na qualidade de vida dos pacientes.
Cuidados desde o início fazem diferença
A prevenção de cicatrizes mais evidentes começa logo após cirurgias ou outros traumas na pele. Seguir corretamente as orientações médicas é fundamental para favorecer uma boa cicatrização.
Entre os principais cuidados estão respeitar as recomendações após a retirada dos pontos, utilizar placas ou géis de silicone quando indicados, manter a pele hidratada, proteger a região da exposição solar com filtro solar e roupas adequadas, além de evitar esforços físicos que provoquem tensão sobre a cicatriz.
Também é importante procurar atendimento médico caso a cicatriz apresente vermelhidão intensa, fique elevada ou sofra alterações inesperadas durante a recuperação.
De acordo com Emerson de Andrade Lima, o processo de maturação da cicatriz pode durar vários meses e continuar evoluindo por até dois anos. Durante todo esse período, a proteção contra o sol continua sendo um dos principais aliados para alcançar um resultado mais próximo possível da pele normal.
Cicatrizes antigas também podem ser tratadas
Quem convive há anos com marcas deixadas por acne, queimaduras, cirurgias ou acidentes também pode se beneficiar dos tratamentos atuais. Segundo o especialista, mesmo cicatrizes antigas apresentam potencial de melhora, tanto no aspecto estético quanto na funcionalidade da pele.
Além dos benefícios físicos, o tratamento pode contribuir para a recuperação da autoestima e ajudar pacientes a superarem os impactos emocionais relacionados às lembranças associadas às cicatrizes.
Fonte: G1
