Juiz do TJ do Piauí é afastado pelo CNJ por suspeita de beneficiar investigados ligados ao PCC

Corregedoria aponta suposto direcionamento de decisões judiciais em favor de alvos da Operação Carbono Oculto, que apura esquema de lavagem de dinheiro e infiltração da facção no setor de combustíveis.

O juiz estadual Valdemir Ferreira Santos, do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) (TJPI/Divulgação)


O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento cautelar do juiz Valdemir Ferreira Santos, do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI), por suspeita de ter adotado decisões para favorecer investigados com suposta ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida foi tomada nesta terça-feira (30), no âmbito de apuração conduzida pela Corregedoria Nacional de Justiça.

De acordo com o CNJ, o magistrado é investigado por possível "direcionamento judicial" em processos relacionados à Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e a atuação da facção criminosa no setor de combustíveis. Desde 2019, Valdemir Ferreira Santos exercia funções na Central de Inquéritos de Teresina.

Entre os fatos apontados pela Corregedoria estão o trancamento de um inquérito vinculado à operação, a revogação de medidas cautelares anteriormente mantidas pelo próprio Tribunal de Justiça do Piauí e a retirada de provas de um processo criminal que tramitava em outra unidade do Judiciário.

Um dos episódios sob investigação ocorreu em abril deste ano, quando o juiz anulou um inquérito que apurava suposta lavagem de dinheiro para o PCC envolvendo proprietários de uma rede de postos de combustíveis no estado. Na decisão, o magistrado fundamentou o arquivamento em entendimento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que restringiu o uso de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtidos pelo Ministério Público sem autorização judicial.

A investigação arquivada fazia parte dos desdobramentos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, em São Paulo. A ação revelou indícios de uma estrutura utilizada para movimentação de recursos ilícitos, envolvendo fintechs e empresas do ramo de combustíveis.

No Piauí, o Ministério Público denunciou, em março deste ano, 12 pessoas pelos crimes de fraude, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis. Entre os principais investigados estão os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danilo Coelho de Sousa, apontados como proprietários da rede de postos HD. O afastamento do magistrado ocorre enquanto o CNJ aprofunda a apuração sobre sua conduta nos processos relacionados à operação.

Fonte: Veja

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