Lulinha é alvo de inquérito da PF autorizado por André Mendonça

Inquérito, que tramita sob sigilo, apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência no Ministério da Saúde; defesa do empresário nega irregularidades e afirma que as acusações serão esclarecidas

Foto: Danilo M. Yoshioka/ Especial Metrópoles


O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a instaurar um inquérito para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A apuração busca esclarecer suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas a negociações envolvendo projetos de cannabis medicinal no âmbito do Ministério da Saúde. A investigação corre sob sigilo. 

A decisão ocorreu após pedido da Polícia Federal, distribuído ao gabinete de Mendonça por prevenção. O caso ganhou repercussão após informações divulgadas pela imprensa apontarem possíveis conexões entre Lulinha e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

Segundo as investigações, o empresário já havia sido citado em apurações anteriores devido ao relacionamento com o lobista e com a empresária Roberta Luchsinger, que também aparece no centro das investigações. Conforme os documentos, os três discutiam um projeto voltado ao mercado de cannabis medicinal e participaram de agendas relacionadas ao Ministério da Saúde entre 2023 e 2025. 

A Polícia Federal identificou ainda movimentações financeiras envolvendo Roberta Luchsinger e o Careca do INSS que somam aproximadamente R$ 1,5 milhão. Em uma das comunicações interceptadas, o lobista teria mencionado que parte de um repasse seria destinada ao "filho do rapaz", interpretação que passou a ser analisada pelos investigadores. Também foram localizados registros de viagens internacionais associadas aos dados cadastrais de Lulinha e relatos de que despesas de viagens teriam sido custeadas pelo grupo investigado. 

Registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que Roberta Luchsinger esteve quatro vezes no Ministério da Saúde entre 2023 e 2024, enquanto o Careca do INSS realizou cinco visitas ao órgão, apresentando-se como representante de empresas ligadas aos setores de telemedicina e fitoterapia. Parte desses encontros ocorreu ao lado da empresária. 

Em nota, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Lulinha, afirmou ter recebido a abertura do inquérito com "perplexidade", classificando a medida como uma possível "fishing expedition" — expressão utilizada para indicar investigações conduzidas sem elementos concretos suficientes. Segundo ele, a defesa terá oportunidade de demonstrar que o empresário não possui qualquer participação direta ou indireta em irregularidades.  

Fonte: Metrópoles 

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