Glória Menezes, ícone da dramaturgia brasileira, morre aos 91 anos no Rio

Atriz construiu carreira de mais de seis décadas no teatro, cinema e televisão, participou de mais de 40 novelas da Globo e formou com Tarcísio Meira um dos casais mais emblemáticos da dramaturgia nacional

Foto: Mais Novela


A atriz Glória Menezes, um dos nomes mais importantes da história da dramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em seu apartamento no Rio de Janeiro. De acordo com a assessoria de imprensa da artista, a morte ocorreu por causas naturais.

Com uma trajetória profissional de mais de seis décadas, Glória deixou sua marca no teatro, no cinema e, principalmente, na televisão. Ao longo da carreira, participou de mais de 40 novelas da Globo e interpretou personagens que atravessaram gerações.

Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, a atriz foi registrada como Nilcedes Soares de Magalhães. Seus primeiros passos na vida artística foram dados no teatro, antes de conquistar espaço também no cinema e na televisão.

Na Globo, Glória estreou em 1967, como Doña Sol, protagonista da novela "Sangue e Areia". Na produção, contracenou com Tarcísio Meira, com quem compartilharia não apenas inúmeros trabalhos, mas também uma união que se tornaria uma das mais conhecidas do meio artístico brasileiro.

Glória e Tarcísio permaneceram casados por quase seis décadas, até a morte do ator, em agosto de 2021, aos 85 anos, em decorrência de complicações da Covid-19. Na mesma época, Glória também chegou a ser internada após contrair a doença.

Ao falar sobre a parceria com o marido, a atriz costumava destacar a amizade, o respeito e a colaboração que existiam entre os dois também no ambiente profissional. Em entrevista ao Memória Globo, afirmou que o casal trocava críticas construtivas com o objetivo de melhorar constantemente o trabalho.

Uma carreira marcada por grandes personagens

Ao longo das décadas, Glória Menezes acompanhou diferentes períodos da evolução da televisão brasileira e esteve presente em algumas das produções mais lembradas pelo público.

Entre as novelas de sua extensa trajetória estão "Irmãos Coragem" (1970), "O Homem que Deve Morrer" (1971), "Cavalo de Aço" (1973), "Pai Herói" (1979), "Guerra dos Sexos" (1983), "Brega & Chique" (1987), "Rainha da Sucata" (1990), "Deus nos Acuda" (1992), "A Próxima Vítima" (1995), "Torre de Babel" (1998), "Senhora do Destino" (2004), "A Favorita" (2008) e "Totalmente Demais" (2015).

Um dos papéis mais marcantes de sua carreira foi Laurinha Figueroa, em "Rainha da Sucata". A personagem voltou a ganhar destaque com a reexibição da novela pela Globo em 2025 e 2026, aproximando novamente o trabalho da atriz de diferentes gerações de telespectadores.

Seu último trabalho em uma novela foi "Totalmente Demais", em 2015. A partir daí, Glória passou a manter uma vida mais reservada e distante das produções televisivas. Em 2026, voltou a receber uma homenagem da Globo ao ser celebrada na Calçada da Fama da emissora.

Parceria histórica com Tarcísio Meira

A história de Glória Menezes e Tarcísio Meira se confundiu, durante décadas, com a própria trajetória da televisão brasileira. Eles se conheceram profissionalmente e já haviam trabalhado juntos no teleteatro da TV Tupi quando, em 1964, protagonizaram "25499 Ocupado", da TV Excelsior, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira.

Foi durante a produção que os dois iniciaram o relacionamento. Posteriormente, casaram-se e construíram uma parceria que ultrapassou os limites da vida pessoal.

Antes de chegarem à Globo, ainda atuaram juntos em "A Deusa Vencida", de 1965, e "Almas de Pedra", de 1966, ambas na TV Excelsior. Na Globo, estrearam lado a lado em "Sangue e Areia", em 1967.

A parceria continuou em produções como "Rosa Rebelde" (1969), "Irmãos Coragem" (1970), "O Homem que Deve Morrer" (1971), "Cavalo de Aço" (1973), "O Semideus" (1973) e "Espelho Mágico" (1977).

Em "Irmãos Coragem", Glória assumiu um dos desafios mais conhecidos de sua trajetória ao interpretar Lara, Diana e Márcia, três personalidades distintas de uma mesma personagem.

Em 1988, o casal ganhou uma produção própria, o seriado "Tarcísio & Glória", criado por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon. Além de protagonizarem a atração, os dois participaram como produtores, enquanto Tarcísio também dirigiu alguns episódios.

Na série, Glória viveu Ava Becker, uma cientista extraterrestre enviada à Terra para estudar os seres humanos. A personagem acabava se envolvendo com Bruno Lazzarini, empresário corrupto interpretado por Tarcísio.

A parceria profissional permaneceu marcada pela cumplicidade que também caracterizava a vida familiar. Glória dizia considerar Tarcísio seu maior amigo e ressaltava que os dois mantinham uma relação baseada no respeito pelo trabalho um do outro.

Após a morte do ator, em 2021, o filho do casal, Tarcísio Filho, relatou posteriormente a dificuldade enfrentada para comunicar à mãe a perda do companheiro de tantas décadas. Além de Tarcísio Filho, Glória teve outros dois filhos, frutos de seu primeiro casamento.

Mais de 40 novelas e presença no cinema

Segundo o Memória Globo, Glória Menezes participou de mais de 40 telenovelas da emissora. Além das produções que se tornaram alguns de seus trabalhos mais conhecidos, sua trajetória inclui títulos como "Passo dos Ventos", "Rosa Rebelde", "O Grito", "Espelho Mágico", "Jogo da Vida", "Corpo a Corpo", "Porto dos Milagres", "O Beijo do Vampiro", "Da Cor do Pecado", "Páginas da Vida" e "Joia Rara".

A atriz também construiu uma carreira relevante no cinema. Entre os filmes dos quais participou está "O Pagador de Promessas", dirigido por Anselmo Duarte e vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962, feito histórico para o cinema brasileiro.

Do teatro às novelas, passando pelas telas do cinema, Glória Menezes consolidou-se como uma das grandes representantes de sua geração. Com personagens marcantes e uma trajetória que acompanhou boa parte da história da televisão no país, a atriz deixa um legado de mais de seis décadas dedicado à dramaturgia brasileira. 

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