Colegiado analisa menções ao procurador-geral da República em mensagens encontradas pela PF no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master
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| Foto: Gustavo Moreno/STF |
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) se reúne nesta sexta-feira (25) para decidir se há elementos suficientes para a abertura de uma investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por possível crime comum relacionado às apurações do caso Banco Master. A análise está marcada para começar às 10h, em sessão extraordinária.
O procedimento foi instaurado após o nome de Gonet aparecer em mensagens localizadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo o MPF, o Conselho analisará a atuação do procurador-geral especialmente em relação às Petições 15.556/DF e 16.662/DF, que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
Gonet preside o Conselho Superior, mas não comandará a análise do procedimento que o envolve. A condução ficará a cargo do vice-presidente do colegiado. O relator é o subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino.
Caso a maioria dos integrantes entenda que há elementos para prosseguir com a apuração, deverá ser designado um subprocurador-geral da República para conduzir a investigação sobre eventual prática de crime comum atribuída ao procurador-geral. Se o colegiado concluir que não existem fundamentos suficientes, o procedimento poderá ser arquivado.
Mensagens encontradas pela PF
As referências a Gonet surgiram durante a análise, pela Polícia Federal, do celular apreendido de Daniel Vorcaro. Parte desse material tornou-se pública depois que o então relator de processos relacionados ao Banco Master no STF, ministro André Mendonça, levantou o sigilo de documentos da investigação.
As apurações identificaram também mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. O material levou o caso ao plenário do Supremo e desencadeou discussões sobre a legalidade e os limites das diligências realizadas pela PF.
Em uma das mensagens, enviada em novembro de 2025, pouco antes da prisão de Vorcaro, o ex-banqueiro demonstrou preocupação com o avanço das investigações e mencionou os nomes de Paulo Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Vorcaro questionava, na conversa, se seria possível “reverter” a situação por meio de Paulo ou Andrei. A simples menção aos nomes, entretanto, não demonstra, por si só, que Gonet ou o diretor-geral da PF tenham atendido a qualquer pedido ou interferido nas investigações.
Relação com Vorcaro e encontro em evento
O caso ganhou novo elemento após a divulgação de uma fotografia em que Paulo Gonet aparece ao lado de Daniel Vorcaro e outras pessoas durante um evento jurídico realizado em Londres, em abril de 2024.
Após a repercussão, Gonet afirmou não manter relação de proximidade com o ex-banqueiro e classificou a interação entre ambos como breve e circunstancial.
Pedido de anulação do relatório
O procurador-geral também questionou no Supremo a validade do relatório da Polícia Federal que revelou as mensagens. Segundo a manifestação apresentada por Gonet, André Mendonça teria determinado irregularmente o aprofundamento das diligências envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Para o procurador-geral, medidas investigativas envolvendo diretamente um ministro do Supremo dependeriam de autorização do plenário da Corte. A discussão sobre a legalidade das diligências passou a integrar o julgamento do caso no STF.
O tema chegou a ser discutido pelo plenário neste mês, quando ministros passaram a debater se seria possível analisar eventuais condutas atribuídas a Moraes sem antes decidir sobre a legalidade das providências determinadas por Mendonça.
Agora, em uma frente distinta da discussão no Supremo, caberá ao Conselho Superior do MPF decidir se as informações já disponíveis justificam a abertura de uma investigação formal sobre a atuação do próprio procurador-geral da República.
Fonte: Agência Brasil
