Em audiência, promotor faz apelo para que eleitor rejeite compra de votos

Durante processo que envolve vereadora Tatiana Medeiros, Ministério Público destaca impacto da prática na democracia

Foto: Yala Sena

O promotor de Justiça Mário Normando utilizou a audiência de instrução do processo que envolve a vereadora Tatiana Medeiros (PSB) para reforçar um alerta ao eleitorado: a necessidade de rejeitar qualquer tentativa de compra de votos e impedir que essa conduta permaneça naturalizada no processo eleitoral.

Segundo o promotor, o caso — que envolve acusações de participação em facção criminosa, compra de votos, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e rachadinha — deve servir como instrumento pedagógico para a sociedade. Tatiana está em prisão domiciliar, enquanto seu namorado, Alandilson Cardoso, permanece preso no presídio de Altos.

“Esse processo, mais do que qualquer coisa, deve trazer uma reflexão para a sociedade sobre o papel do próprio eleitor no pleito eleitoral”, afirmou Normando.

Cultura da compra de votos

O representante do Ministério Público destacou que a compra de votos é uma prática arraigada em diversas regiões do país e que, muitas vezes, ocorre com participação ativa dos eleitores.

“O candidato, às vezes, pratica esse tipo de crime incentivado pelo pedido do eleitor. Não vamos ser ingênuos em dizer que isso não acontece”, disse o promotor.

Normando ressaltou que a vulnerabilidade econômica contribui para a continuidade dessas práticas, mas alertou que aceitar vantagens compromete diretamente a integridade da democracia.

“O eleitor sabe da necessidade material, mas a dignidade e o futuro do país não podem ser alienados por R$ 100, R$ 200, R$ 50, por um milheiro de tijolo ou um saco de cimento. Nada disso vale a dignidade do povo, e a democracia é profundamente comprometida”, declarou.

Crime e punição

O promotor também lembrou que o eleitor que aceita dinheiro, bens, empregos ou qualquer outra vantagem em troca do voto comete crime de corrupção eleitoral. A legislação prevê pena de até quatro anos de prisão, além de multa.

Normando integra o colegiado do Ministério Público que acompanha o processo contra Tatiana Medeiros e os outros oito réus. O julgamento prossegue conforme o andamento processual.

Fonte: Cidade Verde

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