Mudanças no PL da Dosimetria beneficiam líderes do crime organizado e reacendem disputa com o Senado
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| Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados |
Com a nova redação, voltam a valer parâmetros mais flexíveis da execução penal. A progressão de regime passa a ser possível após o cumprimento de um sexto da pena em determinados casos. Para crimes cometidos com violência, o percentual mínimo foi fixado em 25%. Já para crimes hediondos, a Câmara manteve a exigência de 40% de cumprimento da pena, descartando o patamar de 70% aprovado anteriormente pelos senadores.
Nos crimes hediondos com resultado morte, o tempo mínimo para progressão foi reduzido para 50%, bem abaixo dos 75% previstos na Lei Antifacção. A flexibilização também alcança lideranças de facções criminosas, que agora poderão pleitear progressão após o cumprimento de metade da pena, enquanto a regra anterior exigia 75% sem possibilidade de livramento.
O texto aprovado ainda afrouxa regras para reincidentes. Os percentuais de 80% e 85%, definidos pelo Senado, foram reduzidos para 60% e 70%, respectivamente. Especialistas em direito penal avaliam que a mudança deve provocar uma onda de pedidos de revisão de penas no Judiciário, com impacto direto no sistema prisional.
A aprovação do projeto gerou críticas à condução dos trabalhos na Câmara e reacendeu tensões entre as duas Casas do Congresso. Parlamentares e analistas apontam incoerência legislativa, uma vez que o endurecimento penal foi desfeito quase imediatamente após ser aprovado. O tema também provocou reações de movimentos sociais e deve motivar protestos em diversas cidades nos próximos dias.
Agora, caberá ao Senado decidir se mantém o rigor da Lei Antifacção ou se aceita o texto mais brando aprovado pela Câmara, em uma disputa que pode redefinir a política penal e o enfrentamento ao crime organizado no país.
Fonte: Forum
