Alckmin cobra investigação rigorosa no escândalo do Banco Master

Vice-presidente defende punição aos responsáveis, reforço das instituições de controle e comenta cenário econômico, segurança pública e eleições durante entrevista a Datena

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil


O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, defendeu uma investigação rigorosa e punição exemplar aos responsáveis pelo escândalo envolvendo o Banco Master, caso que teria causado prejuízos bilionários a investidores e instituições públicas e privadas, segundo o Banco Central.

A declaração foi feita durante entrevista ao jornalista José Luiz Datena, na estreia do programa “Na Mesa com Datena”, exibido na noite desta terça-feira (10) pela TV Brasil.

Durante a conversa, Alckmin afirmou que as irregularidades investigadas não são recentes e que os fatos apontam para falhas graves no sistema de fiscalização do setor financeiro.

Segundo ele, a apuração precisa alcançar todos os envolvidos, inclusive possíveis agentes públicos que tenham contribuído para o esquema.

“Você não tem um desfalque, uma fraude, do ponto de vista bancário, que começou ontem. Isso vem lá de trás. Agora está ficando claro que tinham pessoas dentro do Banco Central, que é o órgão responsável pela fiscalização e acompanhamento do sistema financeiro, que tinham envolvimento. Isso já ficou claríssimo. Tem que ser feita apuração rigorosa e punição rigorosa”, afirmou.

O vice-presidente também comentou a postura do governo federal diante do caso e garantiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não impõe qualquer tipo de limitação às investigações conduzidas pelas autoridades.

Segundo Alckmin, a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário têm liberdade total para conduzir as apurações.

“O presidente Lula tem sido claro. Ninguém no governo limita investigação. Nenhuma. É investigação rigorosa. A Polícia Federal tem liberdade, o Ministério Público, o Poder Judiciário. É apurar e fazer justiça, é isso que se deseja. E, de outro lado, responsabilizar e aprimorar os instrumentos de controle. Isso já poderia ter sido pego lá para trás”, declarou.

Além da responsabilização dos envolvidos, Alckmin defendeu o fortalecimento das instituições responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro, como o Banco Central e outros órgãos de controle.

Para ele, a transparência e o aprimoramento permanente das instituições são pilares fundamentais do funcionamento democrático.

“Esse é um processo permanente de você melhorar as instituições, aprimorar as instituições. Na democracia, tem que ter transparência, tem que ter clareza”, disse.

O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos na última semana, quando o financista Daniel Vorcaro foi preso novamente pela Polícia Federal durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.

Vorcaro já havia sido alvo de mandado de prisão no ano passado na mesma investigação, mas acabou obtendo liberdade provisória mediante uso de tornozeleira eletrônica.

A nova prisão foi autorizada após a análise de mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido durante a primeira fase da operação. Nos diálogos, segundo as investigações, Vorcaro teria ameaçado jornalistas e pessoas consideradas contrárias aos interesses do grupo.

A Operação Compliance Zero apura um esquema de fraudes bilionárias que teria provocado um rombo estimado em até R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo responsável por ressarcir investidores em casos de quebra de instituições financeiras.

Saída do ministério

Durante a entrevista, Alckmin também confirmou que deixará o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no dia 2 de abril, para cumprir a exigência da legislação eleitoral que obriga autoridades do Executivo a se afastarem de cargos ministeriais caso pretendam disputar eleições.

A regra determina que a desincompatibilização ocorra até seis meses antes do pleito, cujo prazo final é 4 de abril.

Apesar do afastamento do ministério, Alckmin permanecerá no cargo de vice-presidente da República.

“Vice-presidente não precisa deixar a vice-presidência, você continua na vice-presidência. Agora, ministério, para qualquer cargo que você for disputar, você tem que se afastar. Então, no dia 2 de abril, cumprindo rigorosamente a lei, nós vamos nos afastar”, explicou.

A decisão já havia sido antecipada pelo vice-presidente na semana passada durante uma coletiva de imprensa no ministério, quando foram apresentados os resultados da balança comercial brasileira.

Impactos da guerra no Oriente Médio

Outro tema abordado durante a entrevista foi o impacto econômico da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Alckmin avaliou que, embora todos os países sejam afetados por conflitos internacionais, o Brasil tende a sofrer impactos menores em comparação com outras economias, devido à diversificação de seus parceiros comerciais.

Segundo ele, os principais mercados consumidores das exportações brasileiras — como China, União Europeia, Argentina e Estados Unidos — estão geograficamente distantes da área de conflito.

Mesmo assim, o vice-presidente reconheceu que a escalada da guerra já provoca efeitos no mercado de energia.

“Todos os países saem prejudicados, mas o Brasil é o menos prejudicado, porque nossos grandes compradores e parceiros comerciais são China, União Europeia, Argentina e Estados Unidos. Agora, já encareceu o petróleo, então claro que afeta gasolina e diesel”, afirmou.

Cenário eleitoral e economia

Ao comentar o ambiente político, Alckmin afirmou que a polarização tem marcado processos eleitorais em diversas democracias ao redor do mundo.

Mesmo diante desse cenário, ele se disse otimista com o momento econômico do país e acredita que os indicadores positivos podem influenciar a percepção da população.

“No mundo inteiro você tem eleições bastante polarizadas. Eleição é comparação, você faz uma comparação. Não tem eleição fácil, mas acredito que as coisas tendem a melhorar”, afirmou.

O vice-presidente destacou indicadores econômicos recentes, como a queda do desemprego e o controle da inflação.

Segundo ele, o país registra atualmente o menor índice de desemprego da série histórica e uma inflação em torno de 4,2%, além de avanços na renda da população.

“O desemprego é o menor da série histórica e a inflação é 4,2%, a menor também. Então você tem um ganho de renda da população. Salário mínimo com ganho real. Vamos lembrar que 60% dos aposentados e pensionistas vivem com um salário mínimo no Brasil”, acrescentou.

Segurança pública

No campo da segurança pública, Alckmin comentou a recente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pela Câmara dos Deputados, texto que agora está em análise no Senado.

A proposta cria o Sistema Único de Segurança Pública, com o objetivo de ampliar a integração entre as forças policiais do país.

Um dos pontos destacados pelo vice-presidente é o fortalecimento das polícias municipais, que passam a ter mais espaço na atuação local.

“Essa PEC dá mais espaço para a ação local. Não vai trocar as polícias, mas vai trazer mais um. A mudança da PEC dando mais poder à polícia municipal vai fazer a diferença, porque você está muito mais próximo da população local”, afirmou.

A proposta também atribui formalmente à Polícia Federal a responsabilidade de combater crimes praticados por organizações criminosas e milícias privadas com repercussão interestadual ou internacional.

Já a Polícia Rodoviária Federal manterá a mesma denominação, mas terá atribuições ampliadas, passando a atuar também na fiscalização de ferrovias e hidrovias federais.

Por fim, Alckmin defendeu o endurecimento das penas contra o crime organizado e ressaltou a necessidade de atingir as lideranças dessas organizações.

Para ele, o combate efetivo à criminalidade depende da prisão dos principais responsáveis pelas estruturas criminosas que operam no país.

Fonte: Agência Brasil 

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