Trump fala em avanço diplomático, enquanto governo iraniano nega negociações e afirma que recuo ocorreu após ameaças de retaliação
![]() |
| Foto: REUTERS/Kevin Lamarque |
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (23) a suspensão temporária de ataques à infraestrutura energética do Irã. A decisão, segundo ele, terá duração inicial de cinco dias e foi motivada por supostas conversas “muito boas e produtivas” com representantes iranianos, com foco em uma possível resolução do conflito no Oriente Médio.
Em declaração publicada nas redes sociais, Trump afirmou que orientou o Departamento de Guerra a adiar qualquer ofensiva contra usinas de energia e outras estruturas estratégicas iranianas. A medida, segundo ele, está condicionada ao avanço das negociações ao longo da semana.
Apesar da sinalização de diálogo por parte dos Estados Unidos, o governo iraniano apresentou uma versão diferente dos fatos. De acordo com uma fonte ouvida pela agência estatal Press TV, não houve qualquer contato, direto ou indireto, com autoridades norte-americanas. Segundo essa versão, o recuo de Trump teria ocorrido após o Irã alertar que responderia com ataques a infraestruturas energéticas em toda a Ásia Ocidental.
A escalada de tensão ocorre após o ultimato feito por Trump no último sábado (21), quando exigiu que o Irã liberasse o Estreito de Ormuz em até 48 horas. O presidente norte-americano chegou a ameaçar ataques diretos a usinas elétricas iranianas, o que levanta questionamentos, já que estruturas desse tipo são classificadas como infraestrutura civil e protegidas pelo direito internacional.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou que, até o momento, os Estados Unidos e Israel já teriam atingido cinco instalações ligadas à infraestrutura hídrica iraniana, incluindo uma usina de dessalinização na Ilha de Qeshm.
Em tom de alerta, o grupo destacou que não respondeu a ataques anteriores contra hospitais, centros de assistência e escolas, mas indicou que poderá reagir caso novas ações sejam realizadas contra o setor energético do país.
A Guarda Revolucionária também afirmou que qualquer ataque à cadeia de fornecimento de eletricidade do Irã será respondido de forma proporcional, incluindo ações contra estruturas energéticas ligadas aos Estados Unidos na região. Segundo o comunicado, instalações em países que abrigam bases norte-americanas poderão ser consideradas alvos legítimos.
O cenário permanece instável, com risco de ampliação do conflito e impactos diretos na segurança regional e no mercado global de energia.
Fonte: Agência Brasil
