Guerra no Oriente Médio se amplia e atinge vários países do Golfo

Conflito entre EUA, Israel e Irã abre novas frentes, deixa centenas de mortos e provoca caos aéreo internacional

Fumaça sobe ao céu após explosões ouvidas em Manama, Bahrein, neste sábado (28), causada por um ataque do Irã  • Stringer/Reuters

A guerra no Oriente Médio entrou em uma fase de rápida expansão após os primeiros ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Dias depois do início da ofensiva, o conflito já envolve diversos países da região, provoca centenas de mortes, ameaça a estabilidade econômica global e deixa milhares de passageiros retidos com o fechamento de importantes espaços aéreos.

Na segunda-feira (2), ataques retaliatórios iranianos atingiram alvos em Israel e em países do Golfo, matando ao menos 17 pessoas, incluindo quatro militares americanos. O cenário de insegurança se espalhou por cidades como Dubai, Abu Dhabi e Doha, onde explosões e interceptações de mísseis foram registradas.

Mortes, ataques e novas frentes de combate

Segundo o Crescente Vermelho Iraniano, ao menos 555 pessoas morreram no Irã desde o início dos bombardeios. Entre as vítimas, 165 teriam morrido em um ataque a uma escola primária feminina, conforme a mídia estatal iraniana. Também foram relatados danos graves a hospitais e instalações militares.

Os ataques resultaram ainda na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, marcando uma mudança histórica no regime do país e aprofundando a instabilidade política interna.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o conflito pode durar “cerca de quatro semanas”, sinalizando uma campanha militar prolongada. Trump declarou que forças americanas afundaram navios da Marinha iraniana e destruíram estruturas estratégicas.

Enquanto isso, Israel abriu uma nova frente contra o Hezbollah no Líbano, após disparos de projéteis contra uma base militar ao sul de Haifa. Os contra-ataques israelenses atingiram Beirute e o sul libanês, deixando ao menos 31 mortos.

No Kuwait, três aeronaves militares americanas caíram após um aparente episódio de “fogo amigo”, segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM). Todos os tripulantes sobreviveram.

Países atingidos pelo conflito

Mísseis e drones iranianos atingiram ou foram interceptados em vários países da região, incluindo:

Israel

Bahrein

Emirados Árabes Unidos

Kuwait

Catar

Arábia Saudita

Em Israel, ao menos dez pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas após ataques com mísseis. Em Dubai, imagens mostraram um hotel de luxo em chamas e danos próximos ao aeroporto internacional. No Bahrein, um prédio residencial foi atingido por drone. Já na Arábia Saudita, a refinaria de Ras Tanura sofreu impacto.

A expansão do conflito abalou a percepção de estabilidade dos países do Golfo, tradicionalmente vistos como áreas seguras para expatriados e turistas.

Impacto nas viagens e no transporte aéreo

Com grande parte do espaço aéreo fechado, aeroportos estratégicos como Dubai, Abu Dhabi e Doha, hubs globais de conexão — suspenderam voos. Companhias como Emirates, Etihad e Qatar Airways cancelaram operações temporariamente.

Milhares de viajantes ficaram impedidos de embarcar ou seguir viagem, ampliando os impactos econômicos e logísticos da guerra.

Motivações e tensão nuclear

Tanto Trump quanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmaram que os ataques visam impedir que o Irã desenvolva arma nuclear e garantir a segurança de seus países. No entanto, não foram apresentadas provas públicas de que Teerã estivesse prestes a obter o armamento.

As ofensivas ocorreram mesmo após rodadas recentes de negociações nucleares entre Washington e Teerã. Autoridades americanas e israelenses afirmam que monitoravam os movimentos do regime iraniano há meses.

Quem lidera o Irã agora?

Com a morte de Khamenei, o Irã passa a ser conduzido provisoriamente por um conselho de liderança composto por três integrantes, conforme a Constituição do país: o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário Gholamhossein Mohseni Ejei e o aiatolá Alireza Arafi.

O processo de escolha do novo líder supremo ocorre em meio a crise econômica interna, protestos populares e perdas militares significativas.

O conflito, que começou como uma ofensiva direta entre três países, agora assume proporções regionais e aumenta os temores de desestabilização prolongada no Oriente Médio, com reflexos diretos na economia global, no mercado de energia e na segurança internacional.

CNN Brasil

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