Estudo do instituto V-Dem indica queda histórica no ranking global e perda do status de democracia liberal durante governo Trump
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| Presidente Donald Trump fala com a imprensa antes de deixar a Casa Branca e voar para a Flórida, em 20 de março de 2026. — Foto: Reuters/Nathan Howard |
Um relatório do Instituto Variedades da Democracia (V-Dem), ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia, acendeu um alerta internacional ao apontar que os Estados Unidos estariam passando por um processo acelerado de regressão democrática. Segundo o estudo, o país deixou de ser classificado como democracia liberal pela primeira vez em mais de meio século.
De acordo com os dados divulgados, os EUA registraram uma queda de 24% em sua pontuação no índice global de democracia em apenas um ano, despencando do 20º para o 51º lugar entre 179 países avaliados. O levantamento destaca que o ritmo de deterioração institucional é mais rápido do que o observado em países como Hungria e Turquia.
O fundador do V-Dem, Staffan Lindberg, afirma que o atual governo norte-americano tem promovido uma série de mudanças que enfraquecem os mecanismos de controle e equilíbrio do Estado. Entre os principais pontos citados estão a politização de órgãos públicos, a pressão sobre o Judiciário, além de ataques à imprensa, à academia e às liberdades civis.
O documento, intitulado “Desmantelando a era democrática”, aponta que o segundo mandato do presidente Donald Trump tem sido marcado por uma concentração acelerada de poderes no Executivo. Segundo o estudo, o nível de democracia no país teria recuado a patamares semelhantes aos de 1965, com agravante de perda de avanços históricos conquistados pelo movimento dos direitos civis.
A análise do V-Dem é baseada em 48 indicadores, incluindo liberdade de expressão, qualidade das eleições e respeito ao Estado de Direito. Os pesquisadores destacam que, em 2025, o Congresso, com maioria republicana, teria abdicado de parte de suas funções constitucionais, permitindo maior centralização de decisões no Executivo.
O relatório cita que, no primeiro ano do segundo mandato, Trump assinou 225 decretos presidenciais, enquanto o Congresso aprovou apenas 49 leis, indicando um desequilíbrio entre os poderes. A Suprema Corte também é mencionada no estudo como fator que contribuiu para ampliar a autoridade do Executivo.
Outro ponto destacado é o perdão concedido pelo presidente a mais de 1.500 condenados pelos ataques ao Capitólio em 6 de janeiro, medida que, segundo o relatório, pode ter enfraquecido a credibilidade das instituições judiciais e incentivado práticas que ameaçam a estabilidade democrática.
O estudo também aponta retrocessos na proteção de direitos civis e aumento de pressões sobre jornalistas e universidades. De acordo com os pesquisadores, a liberdade de expressão nos Estados Unidos estaria em seu nível mais baixo desde a década de 1940.
Embora não tenham sido realizadas eleições nacionais em 2025, os especialistas indicam que as eleições de meio de mandato, previstas para novembro, serão decisivas para avaliar a resiliência das instituições democráticas no país.
Fonte: G1
