PF identifica 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes antes de prisão e liquidação do Banco Master

Relatório de 218 páginas reúne pedidos de auxílio, dúvidas sobre eventual saída do país e tentativas de adiar medidas contra o banqueiro e a instituição financeira

Divulgação/ Master e STF Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e Alexandre de Moraes, ministro do STF

A Polícia Federal identificou 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nas semanas que antecederam a prisão do empresário e a liquidação do Banco Master.

As comunicações constam de um relatório de 218 páginas encaminhado ao Supremo e que deverá ser analisado pela Corte nesta terça-feira (15). O documento reúne mensagens nas quais Vorcaro demonstra preocupação com possíveis medidas contra ele e contra o banco, além de buscar aconselhamento e apoio diante do avanço das ações das autoridades.

Segundo a Polícia Federal, o banqueiro chegou a questionar se deveria deixar o Brasil e pediu ajuda para tentar retardar ou impedir determinadas providências que poderiam atingir o Banco Master.

O relatório foi produzido por determinação do ministro André Mendonça e poderá servir de base para que o STF decida sobre a eventual abertura de investigação relacionada aos fatos descritos pelos investigadores.

Mensagens partiram do celular do banqueiro

As comunicações analisadas pela PF foram enviadas por Vorcaro a um contato salvo no aparelho do empresário com o nome “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

O relatório, entretanto, não apresenta eventuais respostas atribuídas ao ministro do Supremo. Isso porque os investigadores tiveram acesso ao telefone de Vorcaro e recuperaram apenas as mensagens encaminhadas pelo próprio banqueiro.

De acordo com a investigação, Vorcaro costumava redigir os textos inicialmente no aplicativo de notas do aparelho. Depois, fazia capturas de tela e encaminhava as imagens pelo WhatsApp utilizando a função de visualização única.

Os registros mencionados no documento começam em 12 de novembro de 2025, poucos dias antes da prisão do empresário.

Vorcaro mencionou “gratidão” após encontro em Brasília

Entre as primeiras mensagens identificadas está uma tentativa de marcar um encontro com Moraes em Brasília. Dois dias depois, Vorcaro informou que estaria na capital federal para conversar com o ministro.

Após o encontro, na noite de 14 de novembro, o banqueiro enviou nova mensagem. Segundo o relatório, ele afirmou que ambos estavam “juntos desde sempre” e manifestou “gratidão” pela atuação de Moraes.

Na mesma comunicação, Vorcaro também fez referência a familiares, funcionários, parceiros e amigos.

As mensagens foram trocadas poucos dias antes da sequência de acontecimentos que resultaria na prisão do banqueiro e na liquidação do Banco Master.

Banqueiro perguntou se deveria deixar o Brasil

Nas comunicações seguintes, Vorcaro passou a demonstrar preocupação crescente com possíveis medidas contra ele e contra a instituição financeira.

Em 15 de novembro, conforme a PF, o empresário perguntou se havia algo que pudesse ser feito diante da situação e questionou se seria aconselhável estar fora do Brasil na segunda-feira seguinte.

Vorcaro também perguntou sobre a possibilidade de reverter as medidas por intermédio de outras autoridades e mencionou o então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Naquele momento, o banqueiro negociava uma operação envolvendo o Banco Master e investidores dos Emirados Árabes Unidos. Nas mensagens, sustentava que uma intervenção naquele período poderia comprometer a conclusão do negócio.

Mensagens indicam tentativa de adiar ação da PF

Em outra comunicação registrada no relatório, Vorcaro pediu que Moraes tentasse conversar com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O objetivo, segundo a investigação, seria tentar adiar por alguns dias uma possível ação contra o banco ou contra o próprio empresário.

Vorcaro argumentou que a proximidade de um feriado poderia agravar os efeitos de uma operação e provocar o colapso da instituição financeira. Em seguida, perguntou se havia possibilidade de a medida ocorrer apenas na manhã seguinte.

Para a PF, o conjunto das mensagens demonstra que o banqueiro acompanhava as movimentações das autoridades e buscava alternativas para evitar ou postergar providências que poderiam atingir seus interesses e os do Banco Master.

Novas mensagens foram enviadas no dia da prisão

Em 17 de novembro, data em que acabou preso no âmbito da Operação Compliance Zero, Vorcaro voltou a enviar mensagens a Moraes.

De acordo com o relatório, o empresário afirmou ter tentado alternativas para “salvar” a situação e informou que anunciaria parte de uma transação.

Posteriormente, perguntou se havia alguma novidade e se tinha sido possível “bloquear” a ação.

Apesar das tentativas relatadas pela Polícia Federal, Vorcaro foi preso naquele mesmo dia. Também em 17 de novembro, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master.

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas relacionadas a operações financeiras envolvendo a instituição e seus dirigentes.

Supremo avaliará conteúdo do relatório

O documento entregue pela Polícia Federal reúne as mensagens e outros elementos que serão submetidos à análise dos ministros do STF.

Na sessão desta terça-feira, a Corte deverá discutir o conteúdo do relatório e avaliar se existem elementos suficientes para autorizar a abertura de uma investigação sobre os fatos apontados pela PF.

A identificação das mensagens, contudo, não representa comprovação judicial das suspeitas levantadas na investigação. O próprio relatório não apresenta eventuais respostas de Moraes às comunicações enviadas por Vorcaro.

Qualquer responsabilização dependerá da análise do Supremo, de eventuais novas diligências e do desenvolvimento das investigações pelas autoridades competentes.

Fonte: IG

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